quarta-feira, 26 de novembro de 2014

segunda-feira, 17 de novembro de 2014

A IMPORTÂNCIA DA FAMÍLIA


A Importância da Família – por Luciano Subirá


Cresci ouvindo meu pai citar (muitas e muitas vezes) o versículo: “Deus faz que o solitário viva em família” (Sl 68.6). A razão pela qual ele enfatizava tanto isso tem a ver com sua história. Ele cresceu em uma família que não servia a Jesus (quase todos vieram a se converter depois), de modo que, pela ausência de valores bíblicos, apresentou inúmeras deficiências. Meu avô paterno suicidou-se quando meu pai tinha apenas doze anos. O fato dele não ter morrido imediatamente após o autoenvenenamento ameniza um pouco a situação, uma vez que deu claras mostras de arrependimento no período de quase um dia que levou até que, infelizmente, morresse. Porém, mesmo antes da trágica morte de meu avô, o meu pai não tinha uma vida familiar exemplar; falta de afeto, rigidez excessiva na disciplina e muitos outros fatores contribuíram para grandes lacunas emocionais.

O fato é que meu pai cresceu não apenas sentindo a falta de uma família estruturada, mas, depois da conversão, deparou-se com o que, para ele, era mais do que uma promessa, era a revelação de um propósito divino: “Deus faz que o solitário viva em família”. De alguma forma, seja ao mencionar tanto esse versículo, ou ao ensinar outros princípios bíblicos para a família, meu pai conseguiu encher meu coração com um sentimento de muito valor para com a família. E, mesmo reconhecendo que o lar em que cresci não era perfeito, percebo que meu pai me fez acreditar e sonhar com o plano divino para a família. E entendo que muito do que o Senhor deseja fazer em nossas vidas depende do nosso entendimento acerca do valor da família.

Portanto, penso que a melhor forma de iniciar este livro seja destacando a importância que a família tem. Quero, contudo, enfatizar a importância da família na ótica espiritual, aos olhos de Deus e à luz do que a Bíblia ensina.


Fonte: Orvalho.com

quinta-feira, 6 de novembro de 2014

A Família - Um bate-papo entre um Sacerdote e um Samaritano


A Família – Um bate-papo entre um Sacerdote e um Samaritano

POR UDF


Texto extraído do blog de Ariovaldo Ramos.


Ariovaldo Ramos é teólogo, escritor, articulista e conferencista com larga experiência na missão da igreja.

– E aí… Esperando o Messias? Perguntou o Samaritano.

– Claro! Respondeu o Sacerdote.

– Então, vem aí o Messias para pôr Israel sobre tudo e sobre todos? Provocou o Samaritano.

– A maioria pensa assim, meu amigo, mas estou chegando a outra conclusão. Disse o Sacerdote.

– Opa! Você saiu da caixa, mesmo! Instigou o Samaritano.

– Exato! Eu estou retomando a questão da Imagem de Deus. Disse o Sacerdote.

– Ah, sei! A Thorah¹ ensina que fomos feitos à Imagem e Semelhança de Deus. Inclusive, parece que isso tem a ver com o fato de que: como Deus, somos seres racionais e cônscios de nós e do outro, assim como moralmente responsáveis, por causa da permissão que temos para decidir sem restrição. Por isso Deus nos julga e julgará, emendou o Samaritano.

– Eu também pensava assim, mas estou mudando de ideia. Disse o Sacerdote.

– Como? Você acha que tem mais do que isso? Questionou o Samaritano.

– Veja! Essas qualidades, que você alistou, os anjos também têm. Também são racionais, basta acompanhar os diálogos angélicos encontrados no texto sagrado, também têm consciência de si e do outro e há anjos do mal, o que implica em que houve algum tipo de julgamento, porque perderam o seu estado natural. E, se houve julgamento, são, também, seres moralmente responsáveis! Acrescentou o Sacerdote.

– Então, a gente tem de ter algo que eles não têm. Afirmou o Samaritano.

– Exato! Você sabe dos dois conceitos que há, na língua hebraica, que, embora traduzidos por um, único, ou unidade, em outras línguas, no hebraico têm diferença entre si? Perguntou o Sacerdote.

– Sim, conheço, as palavras “echad” e “yachid”. A gente usa “yachid” quando quer falar de peça única, como em uma pedra, e usa “echad” quando quer falar de unidade necessariamente acompanhada de outras, como em um cacho de uvas, por exemplo. Completou o Samaritano.

– Pois, você já notou que quando Moisés fala que Deus é único, no chamado à adoração em Deuteronômio 6.4, ele usa a palavra “echad”? E que, quando fala, em Genêsis 1.24, que Deus disse que o homem deve deixar pai e mãe e se unir à sua mulher, e que, quando isso acontece, se tornam uma só carne, também usa a palavra “echad” para designar o efeito da comunhão entre homem e mulher? Perguntou o Sacerdote, denotando emoção.

– Rapaz! Isso é de impressionar! Você está a dizer que é na constituição da família que nos tornamos imagem de Deus? Diz o Samaritano.

– Não ao nos constituirmos família, mas, no fato de sermos família. A gente não pode esquecer que Moisés nos ensinou que somos uma família, nós, todos os seres humanos, de todas as nações, viemos de um único casal: somos uma só família. Estou dizendo que somos imagem e semelhança de Deus, porque somos uma só família. E, cada um de nós, o é, porque nasceu nessa família, dessa família e para viver por essa e nessa família. Completou o Sacerdote.

– Sim, pode até ser, mas isso se perdeu! Veja o nosso caso, somos de nações irreconciliáveis! Aliás, nem na família a gente vê isso! Anotou o Samaritano.

– Pois é! Isso que eu penso que o Messias fará: conciliará todas os seres humanos e todas as nações, fazendo ressurgir a família humana, assim a imagem e semelhança de Deus reaparecerá! Exclamou o Sacerdote.

– Lindo! E isso é muito mais do que restaurar a Israel! Todos seremos contemplados! Mas, você, ao dizer isso, não está dizendo que Deus, também, é uma família? Inquiriu o Samaritano.

– É. Ou, no mínimo, unidade acompanhada, necessariamente, de outra ou outras. Eu percebo que Moisés insistiu em falar de Deus no plural. Assim como insistiu em dizer que nós, humanos, somos uma só criação, porque Deus só manipulou o barro uma vez, e só soprou uma vez, e que Adão, disse ele no Genesis 5.1 e 2, era o nome do casal e não do macho, de modo que, quando Deus passeava no jardim, e chamava por Adão, o casal se apresentava a Ele. Disse o Sacerdote.

– Você está a dizer que Deus é uma família? Insistiu o Samaritano.

– Bem… Acho que ainda não consigo dizer isso, mas estou profundamente incomodado com essa possibilidade², replicou o sacerdote.

– Bom, meu amigo, você já me deu muito para pensar; a gente se vê. E saiu o Samaritano.


*1 A Lei de Moisés

*2 Nós, cristãos, cremos que Deus é uma família: Pai, Filho e Espírito Santo (Um Deus e Três Pessoas)

Fonte: UDF

Filho de Pastor: A Saga de um Alienígena


Filho de Pastor: A Saga de um Alienígena

POR NICOLLEPINHEIRO


Você provavelmente era (ou é) a última pessoa a ir embora da igreja. Sabe bem como é lançar olhares de súplica pra sua mãe (provavelmente também ocupada com algum irmãozinho sem pressa alguma de ir embora) e receber de volta aquela mímica labial que diz “fala com o seu pai”. Com o estômago vazio e a paciência cheia, você senta no banco, espera o fim da reunião do conselho e imagina o frango assado que os outros já estão comendo faz tempo em suas casas…

Na escola a coisa é um pouquinho mais difícil: o quê que o seu pai faz? Papai sempre foi de falar bonito, então me mandava dizer que era Teólogo. Mas crianças de 10 anos não sabem o que é Teólogo e você responde à pergunta com um tímido “Pastor”. “Tipo padre?”, falava um. Aí outro dizia: “Se fosse padre como ela ia nascer, seu tonto?” E a confusão se instala.

E quando perguntam o que um pastor faz? Crianças que não frequentam a igreja tendem a não entender quase nada desse universo – mais ou menos um leigo tentando entender mecânica quântica. Meu pai prega. “Pregar? Mas tipo prego na madeira?”

Na adolescência melhora um pouco em relação à explicação, mas piora um pouco quanto ao julgamento. Pastores, para muitos, são aqueles que roubam dinheiro das pessoas através do dízimo. Logo, você, filha ou filho, é a princesa/príncipe que tira férias graças às ofertas do gazofilácio (outra coisa que seus amigos não-cristãos JAMAIS saberão o que é). Até você explicar que seu pai é mais duro que pão de anteontem e que ele não pode pegar pra si o dízimo que a igreja recebe, Jesus já voltou…

Você é provavelmente o campeão internacional de furto de pãozinho depois da Santa Ceia (confessa!), deixava as tias malucas na Escola Bíblica de Férias (e quando cresceu pagou seus pecados ajudando a organizá-la); cansou de brincar de pular entre “Jerusalém e Jericó”, passou a vida indo em acampamentos, sabe até em hebraico a música “A alegria está no coração de quem já conhece a Jesus” e já perdeu as contas de quantas vezes foi citado nas piadas de pregação do seu pai. Também já foi o Zezinho e a Mariazinha dos fantoches das crianças, dançou “Havia um homenzinho torto” por anos a fio e se juntar a quantidade de chá mate e cafezinho que tomou ao longo da vida depois dos cultos daria pra encher uma piscina santa!

Agora uma verdade dura a ser revelada: filho de pastor também sente sono na pregação do pai. A diferença é que nós somos os únicos que não podem dormir. (Ok, há uma outra diferença: nós sabemos que enquanto a maioria do mundo tira o cochilo sagrado do domingo, seu pai está acordado preparando a mensagem. Isso também freia nossas pálpebras).

Ser filho de pastor é basicamente como ser filho de político: sempre vão ter aqueles que não vão gostar do seu pai, e é preciso lidar com isso – assim como muitos terão um carinho enorme por ele, e 20 anos depois ainda vão ligar na sua casa pedindo notícias ou compartilhando alguma alegria. Nesses momentos você percebe que aquele tempo em que seu pai deixou de estar com vocês para atender ou aconselhar alguém… hoje faz sentido.

Ser filho de pastor também é muitas vezes conviver com o mito de que sua família é tipo Doriana. Então vou contar um segredo: não, não é. Mas “desabafar” é um verbo complicado para o pastor e sua família, já que qualquer comentário sobre os problemas de vocês pode ganhar proporções ou interpretações indesejáveis diante dos outros e da igreja (é como com um político, lembra?). Então nem sempre, minha gente, dá pra abrir o coração. E isso faz falta.

E aí você se põe a pensar: é duro ser filho de pastor, hein? É. Assim como é duro ser filho de engenheiro, bombeiro, professor, camelô, ator, cantor, porteiro… O que eu quero dizer é que, apesar de tudo isso, com o tempo e o coração aberto você passa a perceber que é tão alienígena como boa parte das pessoas com quem convive. Há sim, coisas que só nós vivemos, umas muito boas e outras nem tanto. Mas basta uma conversa mais a fundo com alguém e pronto: você vê o quanto o ser humano (e todo o seu pacote de carências, lutas, medos, traumas e inseguranças) é muito, muito semelhante.

Então não tenham medo de nós, terráqueos! Somos todos filhos de um só pastor.



Por Nicolle Lemos, jornalista da Universidade da Família e também filha de pastor

Fonte: UDF

quarta-feira, 5 de novembro de 2014

As inscrições para o XI Encontro Nacional da Família da Universidade da Família já estão abertas!

Segue convite do Presidente da Universidade da Família para o XI Encontro Nacional da Família, que acontecerá em Sumaré - SP.




Convite



Convite

Temos a alegria de convidar você e sua família para participar do XI Encontro Nacional da Família que acontecerá em Sumaré (SP).

Escolhemos para o evento 2015 o tema “Bom e Fiel”, com a intenção de encorajar as famílias a serem cada vez mais íntegras. Ou seja, que lutem incessantemente pela unidade e retidão de seus lares. Este é o nosso primeiro objetivo para o Encontro.

O segundo objetivo é o de reconhecer a fidelidade dos líderes que perseverantemente têm trabalhado para multiplicar os talentos que um dia o Senhor lhes ofereceu.

Para atender os objetivos deste encontro, estamos reformulando toda a programação do evento para que algumas famílias possam compartilhar histórias de unidade e retidão e os líderes sejam reconhecidos pela sua fidelidade na multiplicação dos talentos.

Venham e participem conosco, pois a família é a base de nossa sociedade!


Jorge e Márcia Nishimura
Presidentes da UDF

Fonte: UDF

DATA: 3 a 5/4 de 2015 (Páscoa)LOCAL: Estância Árvore da Vida
Sumaré, SP (próximo a Campinas)
Estrada Granja Portão Pesado, s/nº
Encontro Nacional 2015

O Princípio da Espera - Parte I


O Princípio da Espera – Parte I



O que nós como jovens podemos fazer enquanto formos solteiros? Já percebeu que essa é a pergunta mais frequente entre os jovens? Por que será que os jovens solteiros não sabem o que fazer? Essa foi minha inquietação por muito tempo – para quem não me conhece, quando escrevi este texto tinha 24 anos e era solteiro – e neste período andei pensando sobre o que nós, como jovens, podemos fazer enquanto solteiros.

Em uma das edições da Conferência da Família, falei um pouco do meu testemunho, de como cheguei a conhecer a ideia e como me enamorei pelo “processo de espera”. Pude observar que muitos dos jovens solteiros que não tinha ideia de como poderiam influenciar outros jovens com essa decisão que tinham tomado perante Deus.

Uma das coisas que contei foi sobre uma aliança que uso. Quando entendi o princípio da espera, compreendi o plano que Deus tem para mim, ainda solteiro. Foi quando eu mandei fazer uma aliança de prata de compromisso com a inscrição “Jesus” na parte superior. E com o tempo, eu tenho descoberto uma grande arma que ele colocou em meu dedo. Por várias vezes pessoas, entre eles colegas de sala na faculdade, trabalho, amigos não cristãos, entre outros, me questionam sobre “minha amada”, por ver a aliança e nunca me ver com ninguém. É nesse momento que essas pessoas dão “brecha” para falar do meu compromisso com Deus.

Isso é apenas uma das coisas que posso sugerir para os jovens quando eles se comprometem com Deus e com seus pais na espera de seus cônjuges. Mas esse seria o único motivo de sermos solteiros?

Fui pesquisar na bíblia e ver o que ela fala a respeito do solteiro, e em I Coríntios 7.32 diz que“O solteiro cuida das coisas do SENHOR, em como há de agradar ao Senhor”. Tudo bem, muitos conhecem esse verso, mas quando olhamos o verso seguinte, o anterior tem mais sentido: “Mas o que é casado cuida das coisas do mundo, em como há de agradar à mulher”.

Eu vejo pelo seguinte ângulo: Deus nos deu um tempo para servirmos com todas as nossas forças. Nessa idade temos plena força, tempo e poder, e João em sua primeira epístola no capítulo 2, verso 14 (I Jo 2.14) diz: “Eu vos escrevi, jovens, porque sois fortes, e a palavra de Deus está em vós, e já vencestes o maligno”. Nós temos o ímpeto de ir e não desistir. Meu pai costuma dizer que depois de casado as coisas mudam, e agora casado realmente comprovei que tudo muda. Se todo ser humano casado quisesse se dedicar inteiramente a Deus, como ficaria o casamento, que é a instituição mais sagrada que Deus estabeleceu na terra?

Deus colocou esse tempo para servirmos a ele, e nos prepararmos para a segunda etapa civil das nossas vidas: o casamento.

Voltando a última pergunta que fiz, sobre existir outros motivos para o solteiro nessa terra, eu respondo: que tal você como solteiro se preparar para o casamento? Como um solteiro se preocuparia com o casamento além daquelas coisas que já são faladas, como esperar, guardar o coração, ou até mesmo ajudar outros na espera? Que tal se nós como homens e mulheres nos preocupássemos em conhecer nosso cônjuge? Mas como?

Então, agora pretendo dar alguns insights sobre como conhecer o cônjuge. O primeiro ponto é que homem e mulher são diferentes, e por mais que você conheça a pessoa com quem vai se casar, existe o grande abismo dos sexos, e isso é explicado o porquê se chama sexo oposto. O sexo oposto tem inúmeras diferenças, e não falo como um expert no assunto, mas como um apaixonado das diferenças entre os sexos. Li alguns livros sobre esse tema, e aqui não pretendo esgotá-lo, mas esclarecer e deixar a você solteiro, uma curiosidade saudável.

Uma das maiores diferenças entre os sexos está na formação do cérebro, e isso tem a ver com a formação neural que é comum de cada sexo. Isso explica porque os homens são os maiores especialistas do mundo (96% deles) e porque as mulheres são as que fazem várias coisas ao mesmo tempo.

Isso é uma em mil diferenças que podem existir entre homem e a mulher, o que dá ao seu tempo de solteiro, uma ocupação para descobrir como agradar seu cônjuge quando estiver casado, mesmo antes de casar.

Mas por favor, não deixe para conhecer essas diferenças no casamento, porque a relação se estabelece de outro modo e não dá margem para conhecer essas diferenças. É por isso que existem tantas relações debilitadas, mesmo sendo casamentos bem estruturados.

Meu conselho é: aproveite o seu tempo para servir a Deus, e como conhecer o sexo oposto de forma saudável, com literatura, conversar com homens e mulheres de Deus, mentores e pessoas sábias que possam te ajudar nessa nova descoberta.

Samuel e Débora Costa
Colaboradores, Palestrantes e Treinadores da UDF.
Fonte: Universidade da Família

JESUS EM: Os dois Lados da Moeda!


JESUS EM: Os Dois Lados da Moeda! – L. R. Meier


Enquanto peregrinos aqui na terra, temos que conviver com a interdependência de duas distintas esferas: a humana e a divina, a natural e a sobrenatural, a comum e a extraordinária. Chamamos isso de equilíbrio, ou seja, o oposto ao radicalismo, extremismo, ou mesmo, ao próprio desequilíbrio. Agora, é óbvio que quando se trata de alguns assuntos, o radicalismo passa a ser mais que uma necessidade, passa a ser uma regra. Isso mesmo, não apenas uma exceção, mas uma regra. Eu diria uma inquebrável regra.

Por exemplo, quando o assunto é o pecado, não há como ser equilibrado em relação à abordagem com que se trata esse mal que habita em nossa natureza caída. Precisamos estar conscientes dessa maligna disposição insistente e persistente da nossa carne, e preventivamente com todo o radicalismo necessário, agir. A minha disposição ao pecado, como também a prática dele, deve ser tratada com radicalismo. Note bem, a minhadisposição, o meu pecado, deve ser tratado com radicalismo! O próprio Jesus foi enfático ao me ensinar isso:

“Ouvistes que foi dito: Não adulterarás. Eu, porém, vos digo: qualquer que olhar para uma mulher com intenção impura, no coração, já adulterou com ela. Se o teu olho direito te faz tropeçar, arranca-o e lança-o de ti; pois te convém que se perca um dos teus membros, e não seja todo o teu corpo lançado no inferno. E, se a tua mão direita te faz tropeçar, corta-a e lança-a de ti; pois te convém que se perca um dos teus membros, e não vá todo o teu corpo para o inferno.” (Mateus 5. 27-30)

Aqui, no conhecido Sermão do Monte, Jesus está elevando o padrão do entendimento a respeito do pecado chamado adultério: não mais “apenas” o ato sexual consumado, mas agora, “somente” a simples intenção impura do coração. O radicalismo com que Jesus apresenta a forma como esse pecado deve ser tratado é indiscutível.

Mateus faz questão de mencionar outro contexto em que Jesus propôs esse mesmo radicalismo no tratamento para o pecado: o cuidado com os pequeninos.

“Qualquer, porém, que fizer tropeçar a um destes pequeninos que creem em mim, melhor lhe fora que se lhe pendurasse ao pescoço uma grande pedra de moinho, e fosse afogado na profundeza do mar. Ai do mundo, por causa dos escândalos; porque é inevitável que venham escândalos, mas ai do homem pelo qual vem o escândalo! Portanto, se a tua mão ou o teu pé te faz tropeçar, corta-o e lança-o fora de ti; melhor é entrares na vida manco ou aleijado do que, tendo duas mãos ou dois pés, seres lançado no fogo eterno. Se um dos teus olhos te faz tropeçar, arranca-o e lança-o fora de ti; melhor é entrares na vida com um só dos teus olhos do que, tendo dois, seres lançado no inferno de fogo.” (Mateus 18. 6-9)

Não tenho dúvida alguma que devo ser radical quando à questão é a minha disposição e prática do pecado. Mas nem tudo no Reino de Deus deve ser tratado com radicalismo. Na verdade, arrisco dizer que a maior parte dos assuntos relacionados às boas novas do governo de Deus, deve ser ensinada, aprendida, e, praticada, nessa interdependência do humano e divino, do natural e sobrenatural, do comum e do extraordinário: o equilíbrio!

Lembro o quanto essa palavra me acompanhou no período de formação teológica, no seminário. Consigo reconhecer hoje, que eu só não errei mais do que errei naqueles dias, porque ao olhar para Jesus, e principalmente, ao me relacionar com Ele, à conclusão sempre era: Jesus é o exemplo de equilíbrio. Jesus sabia o que era viver o humano e o divino, o natural e o sobrenatural, o comum e o extraordinário.

Dificilmente um seminarista, ainda mais com o estilo de temperamento e personalidade que tenho, sabe e aceita viver de forma equilibrada. Eu sempre tinha a solução do problema, eu sempre tinha a opinião mais alinhada com a Palavra de Deus, eu sempre tinha o posicionamento correto (acredito que pelo menos um pouco, isso mudou para melhor, rsrsrs). Naqueles dias, eu era um verdadeiro extremista ao extremo, eu era praticamente um homem-bomba-espiritual, um radical por excelência, se é que excelente seja um aplicável adjetivo para um radical. Mas sempre, sempre que recorria ao homem-Deus chamado Jesus, não havia como negar: a melhor escolha era, como é, e sempre será, o equilíbrio.

Pois bem, então vamos lá! Quero convidar você olhar para Jesus e ver com que equilíbrio ele tratou a questão financeira ao redor da sua vida, obra e ensino. Obviamente, esse texto não tem a pretensão de ser exaustivo e de apresentar tudo que Jesus nos ensinou sobre o dinheiro, o que não foi pouco. O que desejo, é conduzir você a uma reflexão que produza profundas mudanças na sua forma de se relacionar financeiramente com Deus. Sim, isso mesmo, sua carteira e conta bancária devem se submeter ao governo de Deus.

Primeiramente, leia com atenção esta narrativa do evangelho de Lucas:

“Aconteceu, depois disto, que andava Jesus de cidade em cidade e de aldeia em aldeia, pregando e anunciando o evangelho do reino de Deus, e os doze iam com ele, e também algumas mulheres que haviam sido curadas de espíritos malignos e de enfermidades: Maria, chamada Madalena, da qual saíram sete demônios; e Joana, mulher de Cuza, procurador de Herodes, Suzana e muitas outras, as quais lhe prestavam assistência com os seus bens.” (Lucas 8. 1-3)

Leia o versículo 3, na versão bíblica da Bíblia Viva:

“Joana, esposa de Cuza (Cuza era mordomo do rei Herodes e estava a cargo do palácio e dos seus negócios domésticos), Suzana, e muitas outras que estavam contribuindo com seus recursos próprios para o sustento de Jesus e seus discípulos.” (Lucas 8. 3 – BV)

Jesus vivia o divino? Sim (Ele próprio o era), mas Ele também vivia o humano! Jesus vivia o sobrenatural? Sim, mas Ele também vivia o natural! Jesus vivia o extraordinário? Sim, mas Ele também vivia o comum! Jesus é a perfeita personificação do equilíbrio.

Eu aprendo uma valiosa lição com este comportamento humano, natural e comum de Jesus ao aceitar a companhia e os recursos dessas mulheres: o meu dinheiro no Reino de Deus tem um fim humano, natural, comum que é manter a obra de Deus. Meus recursos, quando a disposição do Reino, financiam pessoas e projetos que estão dando continuidade ao que Jesus iniciou. Essas mulheres, e poderíamos levantar todos os contras que o fato delas acompanharem Jesus no seu ministério acarretava, não eram recriminadas ou convidadas a não o fazerem, por quê? Porque Jesus e seus discípulos precisavam de recursos humanos, naturais e comuns: dinheiro!

Quando Deus, através do profeta Malaquias, perceba bem, Deus, não a lei, regulamentou o dízimo que Ele já havia estabelecido centenas de anos antes, Ele deixou claro que o dinheiro era necessário para manter, sustentar, prover sua casa:

“Trazei todos os dízimos à casa do Tesouro, para que haja mantimento na minha casa;” (Malaquias 3.10a)

Ou ainda, segundo a versão bíblica A Mensagem: “Tragam o dízimo completo para o tesouro do templo, para que haja ampla provisão na minha casa.”. É verdade que essa não pode ser a única razão, ou a principal razão para eu dizimar. Conforme as palavras do pastor Luciano Subirá: “A manutenção da obra de Deus é mero efeito colateral”. Entretanto, mesmo entendendo que o financiamento do Reino, não é o motivo único, ou principal, eu devo dar meu dinheiro a Igreja local, de forma humana, natural, comum, a fim de financiar a obra de Deus. Isso é um fato!

Alguns em nossos dias não conseguem, ou melhor, não querem entender que o dinheiro é necessário para que a obra de Deus seja feita. Existem excessos e até aberrações acontecendo em torno do dinheiro na Igreja, infelizmente existe. Mas daí não colocar a mão no bolso de forma bem humana, natural, comum, para financiar o Reino, é tão maior excesso, como aberração. Ainda mais para alguém que entendeu o que é ser um discípulo de Jesus.

Leia com atenção a declaração de Paulo:

“Despojei outras igrejas, recebendo salário, para vos poder servir”. (2 Coríntios 11.8)

Por favor, que esses alguns me esclareçam de onde veio esse dinheiro? Foi uma operação divina, sobrenatural, extraordinária? Não! Paulo usa uma expressão nada espiritual, despojei, para mostrar aos coríntios que a obra de Deus precisa de dinheiro. Aquilo que é de Deus por direito: dízimos. E aquilo que é d’Ele, mas Ele deixa você administrar: ofertas.

Há aqui um importante detalhe, a palavra grega usada por Paulo, que segundo a versão bíblica Revista e Atualizada de João Ferreira de Almeida, é, despojei, tem uma ligação, segundo o Léxico Grego de Strong, com uma palavra grega que significa: “tirar a pele de um animal”. Esse foi o despojar outras igrejas de Paulo.

Proponho algumas alusões a essa associação do despojar e a figura “de tirar a pele de um animal”:

- É um ato extremamente intenso: tirar a pele de um animal é um ato que deve ser bem feito, deve ser preciso, mas também deve ser feito com extrema intensidade. Ou Paulodespojou, pediu com intensidade ajuda financeira a essas Igrejas, ou essas Igrejas eram intensamente liberais quando o assunto era financiar a obra do Senhor;

- É um ato inteligentemente funcional: você não deixa a pele de um animal se decompor com o cadáver. O animal abatido para o consumo ou por outra razão tem a pele aproveitada. As Igrejas que Paulo despojou tinham discípulos, cujos recursos, não mais estavam à mercê do desperdício. Eles estavam mortos para o mundo, e o mundo não mais se beneficiaria dos seus recursos. Havia a disposição de um novo estilo de vida: o do Reino de Deus;

- É um ato profundamente revelador: por que um animal tem pele? A pele é a proteção de tudo o que está envolto por ela, dentro dela. Essas Igrejas que Paulo despojou não precisavam proteger suas finanças do próprio Deus, elas estavam disponibilizando seus recursos a Ele. Mesmo Deus já conhecendo, elas estavam revelando de forma humana, natural, comum, com suas contribuições, o seu interior.

Agora, me acompanhe em outra declaração do Apóstolo:

“Não sabeis vós que os que prestam serviços sagrados do próprio templo se alimentam? E quem serve ao altar do altar tira o seu sustento? Assim ordenou também o Senhor aos que pregam o evangelho que vivam do evangelho.” (1 Coríntios 9. 13-14)

É bem verdade que no contexto dessas palavras, Paulo afirma ter aberto mão desse direito, mas qualquer um que não abrir mão do sustento que o evangelho tem que lhe dar, segundo o próprio Senhor, não é mercenário ou mal intencionado. Viver do evangelho quando se prega o evangelho é a expressão do humano, do natural, do comum. Certo, mas como possibilitar isso se não despuser minhas finanças para o Reino de Deus?!

É no mínimo intrigante como o homem que fez de tudo para não ser pesado financeiramente a nenhuma das Igrejas que implantou e supervisionou, faz questão de ensinar com tanta ênfase sobre a manutenção da obra de Deus:

“Devem ser considerados merecedores de dobrados honorários os presbíteros que presidem bem, com especialidade os que se afadigam na palavra e no ensino. Pois a Escritura declara: Não amordaces o boi, quando pisa o trigo. E ainda: O trabalhador é digno do seu salário.” (1 Timóteo 5.17-18)

Quero mais uma vez solicitar a ajuda desses alguns que tem dificuldade de entender que o dinheiro é necessário no Reino de Deus: como pagar bem, muito bem, pois é isso que significa “… merecedores de dobrados honorários…”, se não houver dinheiro na Igreja?! E como haverá dinheiro na Igreja se eu não entender humanamente, naturalmente, de forma comum, que esse dinheiro deve vir de mim?

Voltemos ao exemplo maior, Jesus. Ele de forma equilibrada nos proporcionou esse inquestionável ensino: o dinheiro dado para a obra de Deus, o dinheiro dado para a Igreja, tem um fim humano, natural, comum: financiar a expansão do Reino de Deus na terra. Jesus deixou-Se seguir por Joana, mulher de Cuza, Suzana e muitas outras que financiavam a Ele e aos demais discípulos.

Agora leia este episódio ímpar na história de Jesus:

“Ora, estando Jesus em Betânia, em casa de Simão, o leproso, aproximou-se dele uma mulher, trazendo um vaso de alabastro cheio de precioso bálsamo, que lhe derramou sobre a cabeça, estando ele à mesa. Vendo isto, indignaram-se os discípulos e disseram: Para que este desperdício? Pois este perfume podia ser vendido por muito dinheiro e dar-se aos pobres. Mas Jesus, sabendo disto, disse-lhes: Por que molestais esta mulher? Ela praticou boa ação para comigo. Porque os pobres, sempre os tendes convosco, mas a mim nem sempre me tendes; pois, derramando este perfume sobre o meu corpo, ela o fez para o meu sepultamento. Em verdade vos digo: Onde for pregado em todo o mundo este evangelho, será também contado o que ela fez, para memória sua.” (Mateus 26. 6-13)

Então, sem nenhum trocadilho, aqui nós vemos o outro lado da moeda. Fica nítido que Jesus nessa situação também queria ensinar como se relacionar financeiramente com Deus, só que agora com uma postura divina, sobrenatural, extraordinária. Aqui Jesus nos ensina que as nossas finanças de forma equilibrada tem também outro papel no Reino, a de apaixonadamente honrar, exaltar, adorar, engrandecer a Deus. Jesus faz questão de mostrar a todos os envolvidos nessa cena, aliás, o que serve para nós também, que o dinheiro deve ser usado como uma expressão de paixão a Deus.

Sim, o ato dessa mulher que Jesus tanto destacou, foi um ato apaixonado, foi um ato de extrema extravagância. Nesse ato, e é o que Jesus quer que entendamos, não há espaço para o humano, para o natural, para o comum. Nesse ato, ela usou mais que o seu dinheiro para dizer para Jesus, o quanto divino, sobrenatural, extraordinário Ele era para ela. Ela expôs, com uma extravagante expressão, a forma como ela desejava se relacionar com Ele.

O valor desse bálsamo perfumado em espécie, em dinheiro vivo, já merece todo o destaque, o que Jesus fez. Agora, sem especular, você já parou para pensar todo o valor implícito que esse bálsamo perfumado tinha para aquela mulher? Todo valor emocional contido em cada mililitro daquele perfume? Quais eram os possíveis fins que essa mulher tinha para aquele perfume? Seus sonhos e expectativas para aquela preciosidade mais que financeira?

Não podemos contribuir apenas com os olhos na manutenção, no sustento, no financiamento da obra de Deus. Também temos que dispor nosso dinheiro de tal forma que Jesus seja apaixonadamente reverenciado. Um filho de Deus, um discípulo do Senhor Jesus, um amigo do Espírito Santo, deve com seu dinheiro declarar em alto e bom som, que nada, nem ninguém, têm mais valor do que Ele.

Do ponto de vista humano, natural, comum, o feito foi um grande desperdício. Aquele precioso bálsamo derramado sobre a cabeça de Jesus, ou escorreu para sua roupa, ou para o chão, ou na melhor das hipóteses, ficou em seus cabelos até o próximo banho, ou seja, desperdício. Mas Jesus fez questão de dizer que o dinheiro no Reino não tem apenas o fim humano, natural, comum, como por exemplo, de ajudar aos pobres. O dinheiro também deve ser usado para mostrar para Deus, que Ele, vale muito mais do que qualquer quantia guardada, gasta em benefício próprio, ou alheio.

O ideal é que cada reunião de Culto ao Senhor, cada oportunidade de devolver o que é d’Ele, e de dar do que administramos para Ele, seja usada para mostrar o quão efetivamente, objetivamente, pragmaticamente, O amamos. Deus não precisa do meu e do teu dinheiro, entretanto, Ele reconhece um ato de paixão demonstrado financeiramente: “Onde for pregado em todo o mundo este evangelho, será também contado o que ela fez, para memória sua.”.

Eis uma expressão que precisa ser assimilada e muito mais praticada pela Igreja de Jesus. Devemos tratar nossas finanças com esse entendimento divino, sobrenatural, extraordinário: “Vou derramar meu amor, minha paixão a Deus, com cada centavo que eu tenho!”.

Quero compartilhar parte de uma canção muito preciosa do ministério Ouvir e Crer:

“… Vou derramar aos teus pés

Os meus perfumes

Aromas agradáveis, minhas fragrâncias

Algo que me custe, algo que me custe

Algo que me custe, algo que me custe.”

Deus não precisa, porém, Ele quer ser amado por você, com algo que te custe! Um ato desses foge da esfera do humano, do natural, do comum. Um ato como o dessa mulher revela uma inspiração divina, uma convicção sobrenatural e uma fé extraordinária. Entenda, em alguns momentos essa paixão que honra a Deus, será demonstrada divina, sobrenatural e extraordinariamente com algumas poucas moedas, mas em outros, com milhares e milhares de reais.

É no mínimo equivocado, para não dizer falso, o entendimento e a prática do ensino que desequilibradamente desconsidera o humano e o divino, o natural e o sobrenatural, o comum e o extraordinário, em relação ao dinheiro no Reino de Deus. Tão falso, como falsa é a cédula ou a moeda que apenas estiver estampada em um único lado.

Tenho aprendido que quando Deus me redimiu, quando Ele me comprou para Ele, me tirando debaixo da escravidão do diabo, Deus demonstrou seu imensurável amor por mim. Nenhuma quantia, por maior que seja, será além do merecimento, do mérito de Deus. Eu vou sim, dispor minhas finanças para sustentar a expansão do Seu Evangelho, de forma humana, natural, comum. Mas o que eu mais quero, o que eu mais desejo, é extravagantemente chamar a atenção d’Ele, dizendo para Ele com os meus recursos, o quanto eu O amo. Quero como essa mulher, dar divinamente inspirado, sobrenaturalmente convicto, e extraordinariamente em fé.

Graças a Deus, por eu ter aprendido isso através da revelação que o Espírito Santo tem me dado das Escrituras. Também agradeço os inestimáveis homens e mulheres que tão preciosamente tem sido para mim um exemplo no Reino. Ainda agradeço a Deus pelas várias experiências proporcionadas a mim. Agora, inigualavelmente tenho aprendido isso com o meu precioso e equilibrado Jesus! Dele é sempre a Palavra final: “Dai, pois, a César o que é de César e a Deus o que é de Deus.”!

- – – – – – – – – – – – – – -

Autor: Luciano R. Meier é casado com Claudia e pai da Ana Paula. É pastor da Comunidade Cristã Discípulos, em Jaraguá do Sul/SC.

Fonte: www.orvalho.com